Exposição “Desvio” + Palestra de Daniel Gisé

A GARE Cultural apresenta em sua galeria de 25 de março a 28 de abril de 2015, a exposição “Desvio“.

Criada pelo quadrinhista e professor da GARE, Daniel Gisé*, para o projeto “Mil” do selo Cachalote, “Desvio” é uma História em Quadrinhos sem texto, um thriller ambientado nos anos 50, cheio de ação e reviravoltas. Além da própria HQ, a exposição conta com originais, rascunhos e desenhos da produção que mostram o processo de criação do trabalho.

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‘Desvio’ surgiu a partir da minha paixão pelos clássicos das histórias em quadrinhos. A primeira faísca criativa me veio quando eu estava lendo uma história em quadrinhos do personagem Rip Kirby (publicado no Brasil com o nome Nick Holmes), personagem criado pelo mestre Alex Raymond em 1946. Rip Kirby é um detetive, um homem sério, sóbrio, sempre correto, o esteriótipo de um herói daquela época. Durante a leitura me ocorreu criar um personagem assim mas que tivesse algum tipo de conduta repreensível para a época e brincar com este esteriótipo. Assim surgiu o personagem principal de ‘Desvio’.

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O enredo de ‘Desvio’ é uma história de ficção científica, nos moldes das que surgiam no início dos anos 1950 nos Estados Unidos. Foi um período muito fértil para os quadrinhos. Nessa época as vendas de revistas de HQ atingiram picos que nunca mais atingiriam novamente. Para disputar este mercado os bons editores e os oportunistas, buscavam algo que chamasse a atenção do leitor. Os artistas tentavam se superar nas criações de capas impactantes. Os autores que produziam no gênero de terror e ficção científica tentavam produzir histórias cada vez mais mais estranhas e finais inusitados. No gênero policial, as histórias ficavam cada vez mais violentas e chocantes.

Nesse cenário surgiu a editora EC publicando HQs de alto nível com um grande time de quadrinhistas: Al Feldstein, Jack Davis, Wally Wood, Harvey Kurtzman (criador da Mad Magazine), Frank Frazetta e muitos outros.

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A capa desde título da editora EC foi uma das fontes de inspiração. O título da revista é ‘Fantasia Estranha’ e na chamada um cientista, com a ajuda de uma máquina, conversa com um cérebro conservado vivo dentro de um vidro.
Foi trabalhando com este imaginário, com esse estilo de desenho realista bem datado que criei ‘Desvio’. Minha idéia inicial era fazer uma HQ longa, entre 45 e 60 páginas, com texto. Fui trabalhando o roteiro, criando a ambientação de uma cidade dos anos 50, o personagem principal que está prestes a casar, em ascensão na carreira de investigador e paralelamente um experimento científico com o objetivo de acabar com a criminalidade e criar uma sociedade perfeita, que sai dos eixos e começa a ter o efeito contrário. Uma das primeiras vítimas é o personagem principal.
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O roteiro ficou parado por meses até surgir o convite do Rafael Coutinho para o Projeto Mil. A proposta era convidar autores para criar histórias em quadrinhos sem texto. Essa é a essência dos quadrinhos: criar histórias com imagens em sequencia. Porém sem a precisão narrativa do texto a história deixa espaços para interpretação e lança um convite para que o leitor participe da história. Achei que o roteiro que eu tinha se encaixaria no projeto, a história foi condensada e a ausência do texto deixou uma aura de mistério em vários pontos da história.

A maioria das referências que utilizei para os desenhos vieram de filmes da época.

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O projeto começou como uma publicação independente. Cada HQ foi publicada como uma revista independente. Em 2011 a HQ foi incluída em uma coletânea publicada pela editora Barba Negra com os seis primeiros autores a participar do projeto, o resultado foi o livro 1000-1.

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*Daniel é professor da GARE Cultural nos cursos de Bases do Desenho, História em Quadrinhos, Ilustração e Desenho Criativo.

Link do projeto do qual a HQ Desvio faz parte: http://narvalcomix.com.br/mil/

Site do autor: www.danielgise.com

Visite a Exposição: de 28 de março a 25 de abril de 2015 (entrada franca).

Participe da Palestra: 14/04/2015 às 19h30 – O artista falará sobre a História “Desvio”, suas influências e o processo de contar histórias com imagens.
Investimento da Palestra: R$ 20,00
Inscrições até 11/04 – Vagas limitadas!

Para mais informações, entre em contato conosco por telefone, e-mail ou clique aqui.

T 11 3564-2696
vilamariana@abra.com.br

Individuais Simultâneas – Mila Thiele e Ana Rey

Nos meses de Fevereiro/Março 2015, o Centro Cultural do Solo Sagrado de Guarapiranga recebe a exposição de duas integrantes d’oNucleo, em individuais simultâneas: Mila Thiele e Ana Rey.

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Mila Thiele – ALMAS e ESSÊNCIAS

Pinturas recentes e objetos, com base na constante busca da essência.

Neste trabalho, avistar as almas pelos olhares dissociados das faces, retirando o que é aparente para deixar o rastro, o resquício do que é essencial e que muitas vezes já não está lá.

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O olhar tão visto e tão pouco visto ao mesmo tempo, por estar quase sempre encoberto e disfarçado pelas expressões da face, do ser social, daquele por trás do disfarce.

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Assim como já não está lá o ser que faz a Construção e o Caminho, que está encoberto até que seja vislumbrado e trazido à tona. Resta ao observador a fantasia do que foi todo o processo, toda a vida, pelas marcas do que foi deixado.

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E o vislumbre do viço que já não está lá, a essência das que foram um dia flores, relegando seus esqueletos carregados de poesia e vida que passou.

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Ana Rey – ESTADO EM SUSPENSÃO

Cada vez mais um silêncio, não entre a obra e quem a olha e sim um silêncio que pertence a obra. A obra passa quase despercebida por não apresentar exageros, tudo se encontra no lugar, acomodado, parado, suspenso. Um estado de superfície.

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Os recursos que se encontram no processo privilegiam as cadeias metonímicas, deslizamento sem lugar de chegada e sem um ponto de partida, onde Derrida cunha o termo disseminação. Trata-se de um processo que se inicia no múltiplo. Por semelhanças, desloca-se. Mas, de uma maneira não pejorativa se encontram entes ou significantes, como no esquema de Saussure ou de Lacan.

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Rearranjando novas apresentações e um domínio do campo representativo a cada obra, Ana Rey constrói sua obra entre formatos, subjetividades e concretudes, um desvio. Um passo de cada vez. E para perceber o poético necessita vivenciá-lo, conferindo ao trabalho um pulsar para além da mera representação.

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Encontro de Encerramento: 22 de março de 2015 – das 12h às 15h30

Visitação: 25 de fevereiro a 22 de março de 2015
Horário: de quarta a domingo das 9h às 16h

Local:  Centro Cultural do Solo Sagrado de Guarapiranga
Av.   Prof. Hermann Von Ihering, 6567 (Parelheiros) – São Paulo, SP
T 11 35970-1000
www.fmo.org.br

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